Traumas e Alegrias de escrever

Matéria do jornal Folha.com, em 05/11/2011:

Escritores comentam traumas e alegrias de produzir o 2º livro.
por MARCO RODRIGO ALMEIDA, de SÃO PAULO.

Também na literatura, a primeira vez costuma ser inesquecível. Já a segunda pode ser a melhor ou a mais traumática das experiências.
Lançar o segundo livro é a prova pela qual passam agora o romancista Edney Silvestre e a poeta Ana Martins Marques.
Poucos livros recentes fizeram mais barulho do que a estreia de Edney, “Se Eu Fechar os Olhos Agora” (2009).
Jornalista da TV Globo, amealhou boas críticas e recebeu prêmios de prestígio como o São Paulo de Literatura e o Jabuti de melhor romance do ano.

O jornalista e escritor Edney Silvestre em seu apartamento, no Leblon. Foto: Pedro Carrilho/Folhapress

Era também favorito ao Jabuti de livro do ano, mas o prêmio foi para Chico Buarque (“Leite Derramado”), segundo colocado na categoria romance. O caso provocou tanta celeuma que as regras do prêmio foram alteradas.

Depois disso, o que resta a ele esperar de seu novo livro, “A Felicidade É Fácil”?
“Olha, uma coisa que eu aprendi é que não há nada que você possa fazer. O que vai acontecer com o livro já não depende de mim.”
Enquanto espera, Edney já prepara seu terceiro romance. “Ficou mais fácil escrever. Tenho mais confiança. Mesmo que agora não tenha sucesso, sei que vou continuar escrevendo.”

O escritor amazonense Milton Hatoum também ganhou o Jabuti por seu romance de estreia, “Relato de um Certo Oriente” (1989). Só publicaria o próximo, “Dois Irmãos”, 11 anos depois. “Assim como não tive pressa para lançar o primeiro, também não estava ansioso no segundo”, diz.
A longa espera foi mais que compensadora. “Dois Irmãos” é o best-seller do autor (vendeu cerca de 130 mil exemplares) e é apontado por muitos críticos como a sua obra-prima.
“O primeiro livro é como o primeiro amor, a gente nunca esquece. O segundo já é um amor mais refletido, menos passional”, define.

Para Paulo Roberto Pires, contudo, a segunda vez foi uma paixão das mais turbulentas. Após o elogiado “Do Amor Ausente” (2000), foram 11 anos de silêncio ou, como ele define, “três anos escrevendo e oito desistindo”.
“Eu não conseguia mais escrever. No primeiro livro, você vai cheio de vontade, já o segundo lhe exige mais.”
A saída encontrada foi transformar o bloqueio em criação. O protagonista de “Se Um de Nós Dois Morrer”, lançado neste ano, é um escritor que, depois da estreia, fica completamente travado.
“Venci o bloqueio, mas não sei o que vai acontecer agora. Espero que o terceiro não seja tão difícil.”

Como nem só de estreias de sucesso vive a literatura, Cristovão Tezza não sentiu a angústia de competir consigo mesmo quando lançou seu segundo livro. O primeiro, “Gran Circo das Américas” (1979), foi “zero de repercussão”. Os dois seguintes não tiveram melhor sorte.
“Publicar foi uma felicidade meio travada. Não fiquei satisfeito com os livros.”
Tezza, que lança agora “Beatriz” e tem na bagagem o superpremiado “O Filho Eterno” (2007), encara com humor a dificuldade do início. “Acho até que foi proveitosa, me ajudou a encontrar a minha linguagem.

Grande abraço e até o próximo post!

Sobre Josane Mary

O ato de escrever se tranformou numa extensão de mim... https://josanemary.wordpress.com
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2 respostas para Traumas e Alegrias de escrever

  1. Antonio Ramiro Fonseca disse:

    Prezada Amiga Josane,

    No meu entender, não existe mais alegria para produzir-se o segundo livro. Nunca nos esquecemos do primeiro amôr de nossas vidas.Tampouco deve haver traumas. É uma tendência natural nos cobrarmos sempre mais. Creio, que o que deva existir é menos euforia e ansiedade, mais cuidados, melhor lapidação, enfím, mais experiencia. Produzir o segundo livro é, praticamente, assumir o dom divino recebido e firmar compromisso consigo próprio de não mais para de escrever. A critica e repercussão estão inseridas no contexto literário. Devem ser levados á sério, porém, jamais predominarem sobre o singelo prazer de colocar a alma no papél.
    Vá para o segundo….terceiro… quarto… enfím, não pare nunca, amiga.

    Abraços Fraternos,
    Ramirovskiy

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